A aplicação é direccionada aos mais de 200 milhões de utilizadores indianos, antecipando as eleições da Índia, onde os principais partidos são acusados de espalhar desinformação, como ocorreu no Brasil e nos EUA.

Whatsapp lançou hoje uma aplicação na Índia, o Checkpoint Tipline, para combater a divulgação de notícias falsas, antecipando as eleições indianas, marcadas para 11 de Abril.

A empresa, pertencente ao grupo Facebook, tem mais de 200 milhões de utilizadores na Índia, e está a trabalhar em conjunto com uma empresa local, a Proto, para conseguir classificar as mensagens enviadas como verdadeiras, falsas, enganadoras ou dúbias, particularmente em momentos impactantes como campanhas eleitorais. A plataforma reconheceu que o desafio da desinformação viral requer um esforço mais colaborativo e não pode ser resolvido por uma só organização. Outro objectivo é a construção de uma base de dados, que permita estudar e compreender melhor os mecanismos da desinformação online.

A decisão surge enquanto o Whatsapp está sob fogo, por ter sido utilizado em campanhas massivas de fake news, tanto na antecipação das eleições indianas, como na eleição do presidente dos EUA, Donald Trump e nas eleições brasileiras, que elegeram Jair Bolsonaro como presidente. As fake news foram um tópico frequente na campanha brasileiras, muitas delas sendo partilhadas por milhões de utilizadores. Entre as mais marcantes estiveram os boatos de que o candidato Fernando Haddad pretendida distribuir um kit gay nas escolas, tal como biberons com forma de pénis. Passando por rumores infundados de que Marielle Franco, a defensora dos direitos assassinada nesse ano, teria algum tipo de ligações a organizações criminosas, ou que a candidata Manuela de Ávila teria usado uma camisola a dizer: Jesus é travesti. Vários analistas consideram que a desinformação online possa ter afectado o resultado das eleições.

Estas campanhas foram cuidadosamente orquestradas e financiadas, beneficiando do anonimato providenciado pela encriptação de dados no Whatsapp, que impede até a própria plataforma de verificar conteúdos sem que sejam enviados para si pelos utilizadores. A plataforma admitiu em Fevereiro que alguns grupos estariam a utilizar a aplicação de um modo que não é o pretendido, tendo introduzido medidas para limitar o número de mensagens que cada utilizador pode enviar, para tentar diminuir o impacto das fake news. A difusão de rumores na Índia, através de mensagens falsas sobre raptos de crianças e roubos de órgãos, já levou à morte de vários cidadãos por linchamento, sobretudo em aldeias no interior do país. Além disso, os principais partidos indianos têm-se acusado mutuamente de espalhar fake news, tendo o Facebook anunciado esta Segunda-feira que apagou 712 contas e 390 páginas na Índia e no Paquistão. 

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