A detenção de Assange também terá ajudado o Equador a conseguir um empréstimo de 4,2 mil milhões de dólares do Fundo Monetário Internacional (FMI).

O australiano Julian Assange, fundador do WikiLeaks que esta Sexta-feira voltou a divulgar centenas de documentos, terá sido preso pela polícia britânica, depois de ter sido retirado à força da Embaixada do Equador onde vivia refugiado há sete anos, por uma questão de vingança política do presidente do país andino Lenin Moreno. A detenção de Assange também terá ajudado o Equador a conseguir um empréstimo de 4,2 mil milhões de dólares do Fundo Monetário Internacional (FMI).

De acordo com o antigo presidente do Equador Rafael Correa, cujo governo concedeu asilo político a Assange em 2012, a detenção do australiano só aconteceu porque “expôs um caso de corrupção muito grave que envolve Lenin Moreno [atual presidente e sucessor de Correa] e sua família”. “Foi por isso que Lenin Moreno quis expulsá-lo da embaixada”, afirmou Correa em entrevista à Agência Pública, uma plataforma de jornalismo de investigação brasileiro.

“O governo equatoriano está a romper todo o direito internacional, o princípio de asilo, da justiça interamericana de direitos humanos. E a constituição do Equador, porque ele é um cidadão equatoriano. É uma humilhação para o Equador. E além do mais é uma vingança pessoal”. Rafael Correa à Agência Publica.

Em causa estará um conjunto de documentos designados por “INA Papers” que Julian Assange terá divulgado e que, segundo Correa, demonstra que o actual presidente do Equador “tinha uma empresa de investimentos aberta pelo seu irmão no Belize, um paraíso fiscal, com o nome de INA, em homenagem às três filhas de Moreno: Irina, Cristina e Karina. Depois abriram uma conta no Balboa Bank do Panamá. Ali lavaram dinheiro que receberam de subornos de empresas de construção chinesas e que pagou uma vida de rei para Moreno, com móveis antigos, apartamentos na Suíça e no mediterrâneo, etc”.

“Moreno não conseguiu ocultar essa divulgação, então Lenin ficou muito irritado e prometeu expulsar Assange. Tentou, de todo jeito, que Assange saísse da embaixada, estavam torturando-o física e psicologicamente, tentando quebrá-lo como ser humano. E agora permitiram que a polícia britânica entrasse na embaixada, o que é uma violação primária à soberania de um país. É algo absolutamente inédito na história mundial”. Rafael Correa à Agência Publica

Este caso poderá ter contornos ainda mais polémicos se se comprovar a acusação de Rafael Correa, de que o seus sucessor na presidência do Equador “ofereceu Assange aos Estados Unidos em troca de ajuda financeira”. Em Fevereiro, o Equador obteve um empréstimo de 4,2 mil milhões de dólares junto do FMI, com o apoio de Washington.

Julian Assange foi preso pelas autoridades britânicas na Quinta-feira dentro da embaixada equatoriana, em Londres, e posteriormente retirado à força. Tal só foi possível depois de o presidente do Equador, Lenin Moreno, ter revogado o asilo político que estava em vigor desde 2012. A cidadania equatoriana, concedida a Assange em 2017, foi igualmente revogada.

A sua detenção foi justificada, então, com uma alegada infracção à sua “liberdade condicional” ao entrar na embaixada em Junho de 2012 para receber asilo político. Pouco tempo depois, a Polícia Metropolitana de Londres reconheceu que o australiano foi preso a pedido dos EUA, após um pedido de extradição, onde Assange é é acusado de “conspirar para hackear” um computador norte-americano.

Em causam está a divulgação indevida, em 2010, de 2502 mil telegramas da embaixada dos EUA. A antiga militar Chelsea Manning, actualmente detida, é acusada de ser a fonte de Assange ao entregar diversos documentos, incluindo informações sobre a Guerra do Iraque e do Afeganistão bem como o vídeo “Collateral Murder”. Chelsea Manning está presa numa solitária desde o dia 8 de Março por negar-se a testemunhar contra Assange. 

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