Uma delegação de Angola foi recebida pelo ministro da Justiça e Segurança Pública do Brasil, Sergio Moro, na Segunda-feira (12). A missão angolana ao Brasil tem por objectivo conhecer o modo de funcionamento do sistema anti-corrupção do Brasil no que concerne às áreas de investigação, auditoria e controle, bem como identificar os mecanismos de cooperação.

Segundo a Veja, Moro recebeu Sebastião Domingos Gunza, Ministro inspector-geral da Administração do Estado de Angola. Na ocasião, o inspector-geral explicou o contexto político e histórico de Angola e os esforços em combater a corrupção e a improbidade administrativa.

O ministro da Justiça e Segurança Pública abordou sucintamente a atribuição da pasta e colocou a instituição à disposição para colaborar e cooperar com a delegação. Está prevista reunião com representantes do Departamento de Recuperação de Activos e Cooperação Jurídica Internacional (DRCI), para conhecer a Estratégia Nacional de Combate à Corrupção e à Lavagem de Dinheiro (Enccla).

Fizeram parte da delegação angolana, além do inspector-geral: embaixador de Angola no Brasil, Nelson Manuel Cosme; Tomás Gabriel Neto Joaquim, inspector-geral-adjunto da Administração do Estado de Angola; Rosa Micolo dos Santos, inspectora-geral-adjunta da Administração do Estado de Angola; Simão Mateus, director do Gabinete de Intercâmbio e Cooperação da Inspeção Geral da Administração do Estado; António André Simões, director do Gabinete do Inspector-geral da Administração do Estado; e Daniel Domingos João, director do Gabinete de Comunicação Institucional e Imprensa.

Estivera no Brasil em Junho um grupo de oito angolanos reúne integrantes da PGR (Procuradoria Geral da República) e do Sinse (Serviço de Inteligência e Segurança de Estado), Marcelino Bonzela Franco, chefe da delegação comentou sobre a “caça aos marimbondos”, expressão usada para a investigação de pessoas que se apropriam dos bens do Estado de forma ilícita.

“Já começamos a fazer a recuperação de bens, agora falta a parte da gestão. Viemos aqui aprender”, afirmou ele.

O promotor Francisco Cardoso lembrou que a Direcção de Recuperação de Activos, órgão criado recentemente pela PGR, recuperou USD 5 mil milhões desviados do Fundo Soberano de Angola.

No início do primeiro painel, Cardoso chamou a atenção para a mudança do foco de actuação: ao invés de se buscar os criminosos, fazer o caminho percorrido pelo dinheiro.

“O fluxo financeiro para as organizações criminosas permite que elas se mantenham vivas e actuantes. Se não actuarmos no estrangulamento do fluxo financeiro, só trocamos os actores. Quando não se ataca o fluxo, essas peças são repostas, e o teatro funciona da mesma maneira”, destacou.

PGR investiga desvio de 4,7 mil milhões de dólares

DEIXE UM COMENTÁRIO

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite o seu nome aqui

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.