A Venezuela anunciou o início de um processo penal contra o auto-proclamado presidente Juan Guaidó. O cientista político Leonid Krutakov explica as possíveis variantes de desenvolvimento da situação.

De acordo com o chefe do Comité de Legislação da Assembleia Constituinte, Julio García Serpa, o processo judicial será conduzido pelo Supremo Tribunal e pelo procurador-geral do país.

Na Quarta-feira (3), o presidente da Assembleia Constituinte, Diosdado Cabello, explicou que a continuidade do processo de investigação contra Guaidó, que fora aprovada um dia antes, significaria retirar a imunidade parlamentar do líder da oposição.

O cientista político russo Leonid Krutakov comentou a situação durante uma entrevista ao serviço russo da Rádio Sputnik.

Quando dois centros de poder são criados, temos uma situação pré-revolucionária. Se o centro oficial não reagir a isso e não o parar de alguma forma, ganhará o centro alternativo. Todo mundo entende quem está por trás de Guaidó, por isso [empreender] acções duras contra ele significa o agravamento das relações com os Estados Unidos.

Assim que ele [Guaidó] for preso, os EUA reagirão duramente, a Venezuela será cercada e as tropas e a Marinha serão deslocadas para a fronteira. Este será um ponto sem volta. Os EUA e Guaidó estão brincando com isso. E enquanto ele viaja livremente ao redor do mundo, gradualmente vai assumindo os seus poderes. Este problema deveria ter sido resolvido imediatamente, disse o especialista.

Segundo ele, o oposicionista não se esconderá da investigação em outros países.

Se Guaidó escapar, será a derrota dele e dos EUA. Acho que ele será forçado a ir para a Venezuela e continuar as suas actividades. Caso contrário, será o fim do jogo — eles vão criar um governo no exílio, arrastá-lo por um longo tempo, dar as reservas de ouro a ele. E isso será um jogo de exaustão, concluiu.

Os protestos em massa contra o actual presidente da Venezuela, Nicolas Maduro, começaram em 21 de Janeiro. Depois dos tumultos, Guaidó se declarou presidente interino e vários países ocidentais, liderados pelos EUA, anunciaram o seu reconhecimento.

Rússia, China e alguns outros países apoiam Maduro como o presidente legítimo da Venezuela. 

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