Primeiros-ministros de Portugal e de Cabo Verde concordaram hoje que é tempo de a CPLP avançar nas áreas da mobilidade e residência, no final da V Cimeira bilateral.

Os primeiros-ministros de Portugal e de Cabo Verde concordaram este Sábado que “é tempo” de a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) avançar nas áreas da mobilidade e residência, no final da V Cimeira bilateral.

Numa altura em que Cabo Verde detém a presidência da CPLP e Portugal o secretariado executivo, António Costa salientou que os dois países têm “em comum uma ambição muito forte” de que este seu mandato “seja marcado por um avanço de um projecto em matéria de residência e mobilidade entre cidadãos”.

“É tempo de, para lá da excelência da cooperação política e importante relacionamento económico, avancemos de forma sólida na fixação deste projecto da CPLP no quotidiano e na vida dos nossos cidadãos. Nada melhor para o fazer que o programa para a mobilidade”, defendeu Costa, na conferência de imprensa conjunta que se seguiu à V Cimeira Portugal-Cabo Verde, em Lisboa.

O primeiro-ministro de Cabo Verde, Ulisses Correia e Silva, disse partilhar dos mesmos objectivos e deixou uma nota de esperança. “Penso que é desta vez que temos de fazer sair o projecto de mobilidade para dar conteúdo à comunidade e concretizar expectativas que os cidadãos têm relativamente à CPLP”, afirmou, considerando que a reunião ministerial na área da Administração Interna, que se irá realizar em Cabo Verde, poderá darum passo significativo” nessa matéria.

António Costa afirmou ainda esperar que “tão breve quanto possível” seja possível eliminar os vistos para os cidadãos cabo-verdianos que visitam a União Europeia.

Dos dez acordos de cooperação assinados este Sábado, o primeiro-ministro salientou os instrumentos bilaterais na área da educação, considerando que se inserem na dinâmica que tem vindo a ganhar a escola portuguesa em Cabo Verde, que arrancou no ano lectivo 2016/2017 com 57 alunos e já vai em 400. “Brevemente estaremos em condições de cumprir o desafio a que nos propusemos: inaugurar a segunda fase de expansão da escola até ao 12.º ano”, afirmou.

No domínio económico, Costa destacou que as empresas portuguesas “têm vindo a acompanhar com muito interesse” o programa de privatizações em curso em Cabo Verde, designadamente nas infra-estruturas. “Registamos o interesse que Cabo Verde manifesta em que haja um reforço do investimento das empresas portuguesas, designadamente no desenvolvimento do sector turismo. Tudo faremos para poder suscitar esse interesse das nossas empresas”, assegurou.

O primeiro-ministro de Cabo Verde salientou o bom relacionamento económico entre os dois países, mas destacou que o tipo de cooperação com Portugal — mais centrada na capacitação institucional e qualificação dos recursos humanos — “é a que faz os países crescerem”. “Vale muito mais do que pacotes financeiros”, considerou Ulisses Correia e Silva.

Também António Costa fez um balanço muito positivo dos resultados da V Cimeira, dizendo que “um motivo de satisfação” é que os dois países saem sempre com “novas ideias e novas pistas de trabalho” para o futuro. A VI Cimeira bilateral ficou marcada para 2021, em Cabo Verde. 

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