O presidente da Comissão Nacional de Eleições (CNE) moçambicana manifestou hoje “preocupação” com “algumas irregularidades” verificadas nas eleições gerais do dia 15 deste mês, mas assegurou que a instituição fez tudo para que o processo fosse “o mais limpo”.

“Naturalmente que nós temos preocupações, como órgão de gestão eleitoral, relativas a algumas irregularidades que ocorreram durante o processo”, disse Abdul Carimo, quando falava aos jornalistas, no final da entrega ao Conselho Constitucional (CC) da documentação relativa ao apuramento dos resultados das eleições gerais. O presidente da CNE adiantou que, consciente da ocorrência de falhas no processo, o órgão evitou descrever as eleições gerais como livres, justas e transparentes no anúncio dos resultados que fez no passado Domingo.

“Por isso é que quando fizemos o anúncio dos resultados, ninguém nos ouviu a dizer que as eleições foram livres, justas e transparentes”, declarou.

Abdul Carimo assinalou que o julgamento sobre a liberdade, justeza e transparência do escrutínio será feito pelo CC órgão equivalente ao Tribunal Constitucional. “Nós fizemos tudo o que era necessário para que as eleições decorressem da forma mais correcta e mais limpa possível”, frisou Abdul Carimo.

A presidente do CC, Lúcia Ribeiro, disse que o órgão ainda vai decidir sobre os recursos interpostos pelos concorrentes às eleições gerais, para depois se debruçar sobre os dados dos resultados do processo eleitorais entregues hoje pela CNE.

A Renamo (Resistência Nacional Moçambicana, principal partido da oposição) e o MDM (Movimento Democrático de Moçambique, terceira força parlamentar) já anunciaram que vão recorrer ao CC dos resultados das eleições gerais. Os resultados eleitorais anunciados pela CNE no Domingo em Maputo deram larga vantagem à Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo), partido no poder, cujo candidato, Filipe Nyusi, foi reeleito à primeira-volta para um segundo mandato como Presidente, com 73 por cento dos votos. A Frelimo conseguiu eleger 184 dos 250 deputados, ou seja, 73,6 por cento dos lugares, cabendo 60 (24 por cento) à Resistência Nacional Moçambicana (Renamo) e seis assentos (2,4 por cento) ao Movimento Democrático de Moçambique (MDM), anunciou a CNE.

Nas presidenciais venceu Filipe Nyusi, reeleito à primeira-volta para um segundo mandato, com 73 por cento dos votos. Em segundo lugar ficou Ossufo Momade, candidato da Renamo, com 21,88 por cento e em terceiro Daviz Simango, líder da MDM, com 4,38 por cento. Mário Albino, candidato pela Acção de Movimento Unido para Salvação Integral (AMUSI), obteve 0,73 por cento.

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