Há medicamentos portugueses à venda, em Luanda, ao triplo do preço do que em Portugal, revelou, esta Quinta-feira, uma reportagem do jornal “O País”.

Segundo o jornal, muitos dos medicamentos são vendidos nas farmácias normais, e mantêm a etiqueta original em euros e com a referência da inclusão do IVA. Mas acabam por ser vendidos em kwanzas e a um valor muito mais elevado.

Exemplo: uma caixa de 20 comprimidos que em Portugal custa 5,10 euros, em Luanda atinge 5500 kwanzas, ou seja, mais de 18 euros.

Parece que o facto da população preferir os medicamentos que chegam a Angola vindos de Portugal dão mais garantias de qualidade do que os que chegam de outras proveniências – como a indiana. S.L., farmacêutico há 20 anos em Luanda, que revela ao jornal que um dos critérios básicos para uma “boa venda” na farmácia é o medicamento ser de origem portuguesa.

“Em regra, os pacientes vêm com a recomendação médica para não adquirem medicamentos de origem indiana. Apenas e só os provenientes de Portugal e no pior dos cenários, os de laboratórios europeus”, escreve “O País”.

Os medicamentos de origem indiana são mais acessíveis – a diferença de preços chega a 10 vezes mais. Quando os medicamentos são caros, os farmacêuticos vendem à lâmina de comprimidos – a mesma caixa que se vende por 5500 kwanzas vende-se à lâmina de comprimidos por 1750 kwanzas, quase seis euros.

Apesar da diferença com o que vem escrito em euros, os farmacêuticos mantêm-nos porque “é uma boa forma de provar aos clientes de que o produto é português”.

“Ou seja, só isto bastaria para fazer soar o alarme, porque há aqui um aparente esquema de contrabando”, segundo o jornal “O País”.

Em Portugal, segundo os dados do Infarmed, é na área da cardiologia que se regista a maior falta de medicamentos, enquanto em Angola é exactamente nesta área em que os medicamentos são mais caros. E, ainda por cima, é uma área em que os pacientes estão aconselhados a tomá-los para o resto de suas vidas.

Um médico cardiologista, que apelou ao anonimato, diz que esta área “começa a transformar-se num grande negócio para aqueles que vêem o sector da saúde como uma oportunidade para ganhar dinheiro”.

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