Faltam pouco mais de dois meses para que chegue o dia em que o país irá testemunhar um dos maiores eventos políticos de Angola independente. Momento político que, em nosso entender, é susceptível de comparações com 11 de Novembro, 04 de Fevereiro, 04 de Abril, dias tão importantes e significativos na história de Angola.

Referimo-nos do dia em que José Eduardo dos Santos, segundo Presidente de Angola, vai abandonar, definitivamente, (acreditando, mais uma vez, nas suas promessas) a vida política activa. Tal poderá ocorrer durante o congresso extraordinário, por si convocado a respeito, depois de o ter prometido antes das eleições gerais, de 2017, ganhas pelo seu Partido.

Sobre a data, que a semelhança das outras vai ser um marco nacional, pouco ou quase nada nos resta a discorrer. O comentário deve resultar, como é óbvio, do facto de sabermos que João Lourenço pode assumir o MPLA.

Todavia, o assumir da liderança do maioritário por parte de “JLO” implicará a introdução de profundas alterações no seio dos camaradas porquanto o substituto de José Eduardo dos Santos, já confirmado discursivamente, é agora o número dois daquele Partido.

No entanto, dois nomes são apontados, com frequência, para ocupar a vice-presidência, nomeadamente, Manuel Domingos Vicente e Julião Mateus Paulo «Dino Matross», ambos dirigentes de proa do Partido e com trajetórias que embora diferenciadas são suficientes para às encomendas.

Dino Matross, que do ponto de vista político-partidário, tem mais caminhada do que o seu concorrente, ingressou no Partido dos camaradas a 4 de Janeiro de 1963, ainda no exterior do País.

Formado em ciência política e direito, já exerceu cargos de relevo no aparelho governamental e partidário, com destaque para a Director Nacional dos Recursos Humanos da Secretaria de Estado da Indústria e Energia, Membro do Conselho da Revolução, vice Ministro para a Defesa NacionalMinistro da Segurança de Estadomembro do bureau político e comité central do MPLA, Secretário-Geral e actualmente é Secretario para as Relações Exteriores do “Bureau” Político.

Já o seu “adversário” da corrida, Manuel Domingos Vicente, embora não seja um “soba” politicamente falando tem um percurso, igualmente, interessante no sector do poder económico.

Foi, a título exemplificativo, Director Adjunto da Sonangol e mais tarde Presidente do Conselho de Administração da petrolífera angolana, tendo se tornado, aos 55 anos, o principal coadjutor de Eduardo dos Santos, fundamentalmente, na condução da política económica do País na época de paz efectiva no País, momento em que viria a ser nomeado Ministro de Estado para a Coordenação Económica.

Com formação académica em Engenharia Electrónica, Manuel Vicente aproveitou sempre a simpatia de JES que o viria nomear como Vice-Presidente da República, fruto, claro, do seu desempenho na petrolífera e da sua obediência que, como se sabe, é fundamental para que haja confiança política.

Embora tenha sido contestado internamente, por falta de trajectória a nível político-partidária, Vicente, rompeu com todas as vontades e atingiu ao segundo cargo mais importante da vida política nacional.

VANTAGENS E DESVANTAGENS DE CADA UM NA CORRIDA PRESIDENCIAL

Neste “item” Dino Matross sai com alguma percentagem à frente do seu companheiro de luta, se considerados aspectos ligados à “tarimba política” quer no sentido interno, quer externo, pois, em política o tempo no exercício conta e serve para amadurecimento e aprendizado na gestão de conflitos e matérias sensíveis.

A observância da ideologia do MPLA, a capacidade de influenciar a massa militante, quer seja de base, quer do topo, a aceitação por parte dos militantes, o profundo conhecimento dos militantes e, também, do País, suas reacções, seus gostos e o poder de manobrar os adversários políticos, como a sua fragilização estratégica, são factores que colocam o histórico dirigente à frente de Manuel Vicente que, se João Lourenço optar por um MPLA refinado nisso vai, de certeza, querer trabalhar com um vice especializado nisso! (risadas)

Entretanto, tais factores podem, ao mesmo tempo, ser desfavoráveis se João Lourenço optar por uma actividade partidária que difere da do seu antecessor. Ou seja, estes factores podem não beneficiar Matross se, na verdade, JLO continuar a defender a separação dos actos do partido com os de Estado; Se continuar a primar por uma actividade que respeite os adversários, pelo menos como tem estado a fazer até aqui, embora nas vestes de Presidente da República; Se entender que o partidarismo não pode suplantar, em momento algum, o patriotismo; Se implementar uma política social que privilegie a cidadania e não a mera militância  o que nos parece estar longe de ocorrer  e, com isso, obstaculizar uma possível ascensão de Matross a Vice-Presidente do maioritário.

Por outro lado, está o Engenheiro Manuel Vicente que na senda da ideologia partidária, do reconhecimento interno, histórico pessoal e da capacidade de influenciar massas, Vicente sai com menos percentagem se comparado com o seu adversário, pois, nunca lidou com estes processos a nível do Partido, salvo opinião contrária e melhor fundamentada.

Entretanto, o homem tem, também, elementos que jogam a seu favor, mormente os que se circunscrevem no ramo da economia e do empresariado. Aliás, é dos angolanos que mais investiram no País e no exterior. É, na verdade, um dos maiores dominadores do sector privado angolano, considerando que detém acções nas maiores empresas privadas a actuar no País.

Neste sentido, tem capacidade de influenciar decisões quer políticas, quer religiosas que, como sabemos, acabam sempre por depender, circunstancialmente, de quem tem poder económico.

É a ele que, reconhecendo a actual proximidade com JLO, pode contar para contrapor o peso dos principais assessores de JES, durante o seu tempo, e que, hoje, estão numa iminente situação de fragilidade no que a capacidade de influenciar algumas decisões importantes dizem respeito.

Assim, avaliada a postura do actual Presidente da República que tudo faz para mudar a forma de governar e considerando que não se mudará esta forma sem antes mudar o MPLA e os do MPLA, aliado a isso o facto de estar a priorizar a diplomacia económica em detrimento da política, esta última que era a aposta de JES, e para continuar a ter peso internamente nos detentores do poder económico, João Lourenço, poderá preferir Manuel Vicente do que Dino Matross que, neste último “item”, fica muito longe do Engenheiro embora não seja mentira que Manuel Vicente e Dino Matross entraram na corrida para a sucessão de João Lourenço na Vice-presidência do maioritário.

 

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