Isabel dos Santos saiu ao ataque. Em entrevista ao jornal Voz da América (VOA), a empresária acusa o actual presidente de Angola, João Lourenço, de ter fechado mais de 50 contratos desde 2017 sem licitação, conduzindo assim a uma escolha seletiva na luta contra a corrupção.

Penso que o presidente João Lourenço fez uma escolha selectiva para a sua luta contra a corrupção. Eu apoio o combate à corrupção, mas o que eu condeno é a forma selectiva que escolheu apenas para suportar a sua campanha, disse a empresária, em declarações ao mesmo jornal.

Detalha ainda Isabel dos Santos que os contratos alegadamente fechados pelo presidente angolano sem licitação atingem os três mil milhões de euros.

Ele criticou o presidente Dos Santos por contratos sem licitações, mas desde 2017 até agora, o presidente João Lourenço tem problemas com mais de 50 contratos no valor superior de três mil milhões de dólares sem licitação, disse a empresária.

O Tribunal Provincial de Luanda decretou em 30 de Dezembro o arresto preventivo de contas bancárias pessoais de Isabel dos Santos, do marido, Sindika Dokolo, e do português Mário da Silva, além de nove empresas nas quais a filha do antigo Presidente detém participações sociais.

O tribunal acusou os três de ocultarem património obtido à custa do Estado, sustentando ainda que a filha do antigo Presidente angolano, através do seu sócio Leopoldino Fragoso do Nascimento, estaria a tentar transferir alguns dos seus negócios para a Rússia.

O tribunal estima que o valor das perdas para o Estado angolano ultrapassa os mil milhões de dólares (894 milhões de euros). Isabel dos Santos detém participações em Portugal em sectores como a energia (Galp e Efacec), telecomunicações (NOS) ou banca (EuroBic).

A decisão do tribunal realça o papel crucial desempenhado por José Eduardo dos Santos no negócio de diamantes da filha e seu marido, Sindaka Dokolo.

Isabel dos Santos afirmou, em comunicado enviado à Lusa, no passado dia 31 que nunca foi notificada ou ouvida no âmbito no inquérito que levou ao arresto das suas contas em Angola, negando as acusações em que é visada num processo que, afirmou, é politicamente motivado.

Este despacho sentença é resultado de um julgamento de uma providência cautelar, que ocorreu sem conhecimento das partes, aparentemente arbitrária e politicamente motivado. Não compreendendo nem se podendo conformar com este enquadramento num Estado de Direito democrático como é Angola, Isabel dos Santos pretende opor-se a cada uma destas alegações em sede e tempo próprio nos termos estabelecidos na lei angolana, lê-se no comunicado da filha de José Eduardo dos Santos.

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