Pelo menos 32 pessoas terão morrido espezinhadas e 190 estarão feridas após uma debandada nas ruas de Kerman, onde esta Terça-feira decorrem as cerimónias fúnebres de Qassem Soleimani, general iraniano abatido pelos Estados Unidos na passada semana. A homenagem conta com dezenas de milhares de pessoas nas ruas da cidade natal daquele que é considerado um herói do Irão.

As cerimónias desta Terça-feira, durante as quais o povo iraniano tem continuado a exigir vingança contra os Estados Unidos, marcam o final de três dias do luto nacional declarado por Teerão.

De acordo com a Press TV, agência de televisão estatal do Irão, em Kerman pelos menos 32 pessoas terão morrido esmagadas na sequência de uma debandada durante as cerimónias fúnebres. Outras 190 pessoas terão ficado feridas.

“Infelizmente, como resultado da desordem, alguns dos nossos compatriotas ficaram feridos e outros morreram durante as cerimónias fúnebres”, disse à televisão estatal iraniana o chefe dos serviços de emergência do país.

Momentos antes, o líder da Guarda Revolucionária do Irão, Hossein Salami, ameaçou incendiar lugares próximos dos Estados Unidos, provocando gritos de “Morte a Israel!” entre a multidão que se encontrava na praça central de Kerman para assistir ao funeral.

Hossein Salami elogiou os feitos do general Soleimani e disse que, como mártir, este representava uma ameaça ainda maior aos inimigos do Irão. “Vamos vingar-nos. Vamos incendiar os locais que (os Estados Unidos) apreciam”, afirmou o líder militar.
Cenários de vingança

No momento em que dezenas de milhares de pessoas, vestidas de negro e empunhando imagens de Soleimani, se reuniram na cidade natal do general, o secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irão avançou que o país está a considerar 13 “cenários de vingança” como retaliação contra os Estados Unidos.

“Os americanos devem ficar a saber que, até ao momento, 13 cenários de vingança foram discutidos pelo Conselho e, mesmo que apenas cheguemos a consenso relativamente ao mais fraco dos cenários, levá-lo a cabo poderá ser um pesadelo histórico para os EUA”, afirmou Ali Shamkhani.

Antes destas declarações, o Parlamento iraniano tinha anunciado a aprovação de uma lei que classifica todas as forças armadas norte-americanas de “terroristas”.

A decisão vem alterar uma lei recente que já declarava como terroristas as forças dos EUA enviadas do Corno de África à Ásia Central, passando pelo Médio Oriente. Agora, essa denominação é estendida ao Pentágono, a as restantes forças norte-americanas e a todos os envolvidos na morte de Soleimani.

Ainda esta Terça-feira, as forças armadas alemãs anunciaram a retirada de parte dos soldados actualmente estacionados no Iraque em missões de formação para serem transferidos para a Jordânia e para o Koweit, devido às tensões na região.

De acordo com o Ministério alemão da Defesa, o contingente alemão baseado em Bagdade e em Taji, a norte da capital iraquiana, com cerca de 30 pessoas, vai ser apenas “provisoriamente reduzido” e essa deslocação vai “começar em breve”.

Além dos militares baseados em e nas proximidades da capital do Iraque, a Alemanha conta com tropas no Curdistão iraquiano, também em missões de treino das forças de segurança locais.

No total, Berlim possui actualmente Qassem Soleimani morreu na Sexta-feira em Bagdade, num ataque aéreo ordenado por Donald Trump de 120 militares no Iraque, no âmbito da coligação internacional contra o auto-proclamado Estado Islâmico.
Ayatollah preside cerimónia.

O enterro do comandante da força de elite iraniana Al-Quds vai realizar-se no sul do Irão, numa cerimónia que vai ser presidida pelo líder supremo iraniano, o ayatollah Ali Khamenei.

Qassem Soleimani morreu na Sexta-feira num ataque aéreo contra o carro em que seguia, junto ao aeroporto internacional de Bagdade, ordenado pelo Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

O ataque ocorreu três dias depois de um assalto inédito à embaixada norte-americana que durou dois dias e só terminou quando Trump anunciou o envio de mais 750 soldados para o Médio Oriente.

O Irão prometeu vingança e anunciou no Domingo que deixará de respeitar os limites impostos pelo tratado nuclear assinado em 2015, documento que os Estados Unidos abandonaram em 2018.

Ler também: Entendendo a nova moeda da África Ocidental

DEIXE UM COMENTÁRIO

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite o seu nome aqui

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.