A economia mundial continua a dar sinais de dificuldades. Mas as bolsas parecem ignorar este contexto e registaram um excelente primeiro trimestre do ano.

Esta foi mais uma boa semana para as bolsas, com valorizações entre os 2% no S&P 500 e os mais de 8% em Xangai. Desde o início do ano, a generalidade dos índices mundiais está com ganhos de dois dígitos, com a praça chinesa a destacar-se claramente, valorizando mais de 30% em 2019. A intenção de permitir que os investidores locais chineses possam comprar títulos em bolsa e a perspectiva de estímulos monetários e fiscais à economia poderá estar na base desta performance impressionante.

Em Nova Iorque já falta muito pouco para que se atinjam novamente novos máximos históricos. Dow Jones, S&P 500 e Nasdaq apenas têm de subir mais 2% para que isso aconteça e, para quem gosta de sinais técnicos, está aberto o sinal de compra dado pela golden cross  quando a média móvel de 50 dias cruza em alta a média móvel de 200 dias. O mercado está a dar, mais uma vez, uma lição duríssima a quem se assustou no final do ano passado e vendeu em pânico. Em apenas meio ano, os índices voltam à zona de máximos e, desde os mínimos registados na véspera de Natal, o Nasdaq já recuperou 29%.

No essencial, o que é que mudou desde Outubro, altura em que as bolsas começaram a cair? Os mais críticos dirão que a situação até se deteriorou: as principais economias continuam a dar sinais de desaceleração, com a Europa a presentar os indicadores mais preocupantes  e mesmo assim o DAX sobe 13.5% este ano; a “guerra comercial” entre os EUA e a China continua por resolver e o Brexit é um processo que parece infindável. Na China, a indústria dá sinais de abrandamento e terá de ser o consumo a sustentar o crescimento. Ao nível geopolítico, a relação entre a Rússia e os EUA parecem estar em degradação contínua. Não obstante, o aparente bom entendimento entre os respectivos presidentes, as tomadas de posição de ambos os países quanto à Venezuela, Turquia e Médio-Oriente não auguram nada de bom.

A leitura do mercado é que os bancos centrais irão continuar a ter sucesso na forma como vão atenuando os ciclos económicos. É um mercado de bancos centrais. A perspectiva de que a utilização de estímulos monetários passou a ser a nova normalidade faz com que os mercados vejam o actual abrandamento económico como passageiro e de impacto limitado. Há sempre o risco de um dia os bancos centrais “perderem a mão” e a confiança dos agentes económicos, mas não é nisso que o mercado está a pensar. Pode dizer-se que a Fed e Jerome Powell capitularam em Dezembro, perante a ameaça de um bear market. Tal como outros bancos centrais, afastaram a perspectiva de contracção monetária e, nesta fase, o mercado até começa a descontar um corte de taxas de juro ainda este ano.

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