A criação do STAR Market é um dos passos da consolidação do gigante asiático como superpotência tecnológica.

Durante muito tempo, a indústria chinesa foi famosa por sua capacidade de replicar produtos estrangeiros, um modelo que superou graças à sua pujante inovação tecnológica. Para consolidar essa tendência, curiosamente, o Governo recorreu a antigos vícios: STAR, a versão chinesa da Nasdaq, começou a ser operada a 22 de Julho pela Bolsa de Xangai. A economia chinesa também é conhecida por sua enorme velocidade de expansão, e o STAR não deixa por menos: estreou com um excepcional crescimento de 140%.

As 25 empresas que compõem o índice são as novas jóias da tecnologia nacional. Todas elas operam em seis sectores emergentes qualificados como “importância estratégica” pelo Governo: tecnologia da informação, fabricação inteligente, engenharia aeroespacial, novos materiais, energias renováveis e biotecnologia. Juntas, arrecadaram a 22 de Julho mais de 37 mil milhões de yuanes, algo que para 24 delas foi sua primeira rodada de financiamento público. Uma das grandes vencedoras da jornada foi a Anji Microelectronics Technology, fabricante de materiais para chips semicondutores, cujas acções tiveram alta de 520% antes de fechar em 400%. Outros protagonistas foram a Suzhou HYC Technology e a Zhejiang Hangke Technology.

Com a iniciativa, o Governo chinês procura conectar as promissoras empresas tecnológicas nacionais com os enormes sacos de riquezas de investidores domésticos, que tradicionalmente confiaram nos mercados financeiros internacionais, mais estáveis e previsíveis que o chinês. O mesmo fizeram companhias nacionais como Alibaba, Tencent, Baidu, JD e Xiaomi. Todas elas optaram por operar na Bolsa de Nova York ou na de Hong Kong em vez de fazê-lo em solo nacional. E o Governo pretende atraí-las de volta.

O presidente Xi Jinping anunciou a medida durante a Exposição Internacional de Importações realizada nessa mesma cidade em Novembro de 2018. Em seu discurso inaugural, Xi manifestou seu objectivo de “consolidar a posição de Xangai como centro financeiro internacional e foco de ciência e inovação”. Era a primeira vez que um máximo dirigente chinês anunciava a criação de um índice da Bolsa, o que mostrava a importância do projecto.

O lançamento do STAR ocorre no contexto da decisão do Governo de colocar a inovação como prioridade nacional para transformar a China numa superpotência tecnológica, como detalham o programa Made in China 2025 e o último plano de desenvolvimento quinquenal. A campanha foi intensificada desde o início da guerra comercial, interpretada pela elite nacional como a última tentativa dos Estados Unidos de dar uma rasteira no desenvolvimento chinês para não ser ultrapassado e perder sua posição hegemónica global. Por isso, nos últimos meses o Governo incentivou as empresas a resolver sua dependência da tecnologia estrangeira, evitando assim danos como o causado pelas sanções à Huawei.

Tentativas anteriores de criar um índice similar ao Nasdaq, em 2009 e 2013, haviam fracassado por causa da baixa qualidade das empresas da lista e do reduzido volume de negócios. Os resultados positivos de hoje indicam que desta vez houve sucesso, embora os analistas peçam calma. A grande maioria atribui os enormes lucros ao desejo chinês de consolidar um mercado financeiro forte, somado à euforia dos investidores e à fanfarra dos jornais oficiais; e prevê que após festa da especulação, como sempre acontece, virá a ressaca. Por enquanto, o STAR vai acender seus telões electrónicos.

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