O Médio francês é filho de pais angolanos e podia ter representado os Palancas Negras.

Blaise Matuidi vai disputar a final do Campeonato do Mundo no próximo Domingo, diante da Croácia, com as cores da França, mas a verdade é que o médio da Juventus poderia estar agora a representar a selecção de Angola, de onde são naturais os seus pais.

Em 2006, aquando da última participação de Angola num Campeonato do Mundo, Matuidi ainda não tinha decidido que selecção iria representar, mas com o evoluir da sua carreira, nomeadamente no PSG, onde chegou em 2011, foi complicado dizer não à Federação francesa, algo que o jogador explicou em 2013, quando foi um dos convidados de honra do governo de Angola numa visita à capital francesa.

Já nessa altura, o internacional francês de 31 anos, que será colega de Cristiano Ronaldo na Juventus, demonstrava o seu amor ao país, onde abriu uma escola de futebol na província de Uíge, terra natal dos seus pais. Apesar de hoje ser francês, reconheço as minhas origens e gostaria de dar o meu contributo para o aparecimento de outros talentos do futebol em Angola. É a minha verdadeira pátria. Os meus pais vieram de Angola. Nasci em Toulouse, mas ali estão as minhas raízes, as que a minha família deixou quando teve que fugir da guerra civil. Foram para o Zaire (como era conhecida então a República Democrática do Congo) e depois para a Europa, confessou Matuidi na altura.

Angola é a minha verdadeira pátria

Apaixonado por Angola, Matuidi já por diversas vezes viajou até este país, tanto do ponto de vista particular como convidado do governo francês, como aconteceu em 2015, ao lado do então presidente francês François Hollande, numa visita de Estado. É um prazer enorme estar aqui. Sinto-me muito feliz por regressar a este país. Estou honrado por se lembrarem de mim em Angola, sinto-me um embaixador do país, disse o médio que aquando da visita ainda torcia pelo apuramento de Angola para o CAN‘2017, competição essa que os Palancas Negras haveriam de falhar. Estou a torcer por Angola, sinto sempre o coração apertado quando vejo os Palancas jogarem..

A ligação de Matuidi à Lusofonia iniciou-se logo quando deu os primeiro passos no futebol, em França. Muito jovem começou a sua carreira ao serviço do US Créteil, seguindo depois para o Créteil-Lusitanos, dois clubes com fortes ligações a Portugal. Apesar da sua ascendência, o médio não domina a língua portuguesa, até porque o seu pai ainda hoje preserva a cultura bantu. A sua família, e ele próprio, são mais fluentes em lingala, uma das grandes línguas bantus, tal como também agora dominam o francês.

Além de Angola, Matuidi tem também especial afecto pela República Democrática do Congo. Foi para este país que parte da sua família fugiu, no início da década de 80, durante a guerra civil angolana. O sangue africano corre assim nas suas veias e este Domingo, diante da Croácia, caso se torne campeão mundial, serão certamente muitos os africanos, especialmente os angolanos, a vibrarem também com o possível feito de Matuidi e dos seus companheiros da selecção francesa.

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